DEPRESSÃO - DEFINIDA PELO DR. THIAGO MONACO

Depressão é o nome geral dado a um conjunto de doenças dentro do grupo dos transtornos de humor, com diferentes níveis de impacto sobre a pessoa. Estas doenças incluem o transtorno depressivo maior, o episódio depressivo maior, a distimia, as depressões induzidas por drogas, depressão induzida por uma condição médica geral e o transtorno depressivo sem outra especificação.

Os transtornos depressivos afetam milhões de pessoas no mundo e a depressão maior, o mais grave deles, pode ser extremamente incapacitante para as atividades diárias ou até mesmo levar ao suicídio.

A depressão é atualmente a primeira causa de incapacidade na América do Norte e pode se tornar a segunda principal causa de incapacidade no mundo até 2020.

Os transtornos depressivos afetam as pessoas em todos os grupos etários, mas seu diagnóstico é frequentemente perdido em idosos, parte devido às manifestações diferentes da doença neste grupo etário, parte devido ao preconceito que ainda temos em relação à pessoa idosa. Quantas vezes não ouvimos que “ficar triste e ir abandonando as atividades da vida diária é normal em idades avançadas” ? Longe de ser normal, pode ser um indício de depressão.

Os transtornos depressivos são caracterizados por tristeza e anedonia (uma grave perda de interesse ou prazer nas atividades habituais), bem como a presença de outros sintomas negativos. O diagnóstico é feito baseado na história clínica, já que não existem testes específicos para esses transtornos. Embora a chance de melhora e o tratamento variem de acordo com o tipo de transtorno e diversos fatores complicadores, as opções de tratamento podem incluir a terapia medicamentosa, a psicoterapia ou eletroconvulsoterapia, que, bem indicada por médico psiquiatra experiente, pode ser salvadora. Combinações destes três tipos de tratamento são freqüentemente usados em casos mais complexos.

É importante esclarecer que o termo depressão, como usado na linguagem comum, para descrever o baixo-astral ou a tristeza que surge de desapontamentos ou perdas é um uso errado do termo. Para tais sentimentos os termos baixo-astral, “blues” ou tristeza são melhor aplicados, já que depressão é um termo médico.

Também importante quando pensamos em indivíduos idosos é considerar a questão do luto. O luto pode provocar praticamente todos os sintomas de um transtorno depressivo maior, mas isso é considerado uma situação normal de auto-ajuste a uma nova situação muito difícil, uma forma como a nossa psicologia reage e se reorganiza após uma grande perda. O luto normal, em seus sintomas exacerbados, é limitado a dois ou três meses. A manutenção prolongada de sintomas exacerbados por um período muito maior pode levantar a suspeita de uma situação de luto patológico (anormal), ou mesmo da abertura de um quadro depressivo associado à experiência do luto. Da mesma forma, sintomas depressivos gravemente incapacitantes durante o período normal de luto podem levantar a mesma suspeita. Em todos os casos de dúvida, o médico especialista deve ser consultado, pois o diagnóstico precoce destas condiç~eos abrevia em muito o sofrimento de quem passa por elas.

História
Os transtornos depressivos têm chamado a atenção das pessoas desde os tempos antigos. O papiro de Ebers, documento egípcio que é um dos mais antigos registros médicos da história contém talvez uma das primeiras descrições dos sintomas clínicos da depressão. Na ficção, os progressivos sintomas que conduzem ao suicídio do herói grego Ajax, descrito na Ilíada de Homero, são uma representação tão boa de um transtorno depressivo que devem ter sido baseados em uma observação real.

A depressão também pode traçar suas raízes na melancolia, um termo de origem grega (melan = negro e chole = bile), usado na medicina antiga para descrever um predomínio da bile negra, um dos quatro humores ou líquidos do corpo humano segundo a medicina da época de Galeno. A teoria dos quatro humores postulava que havia a necessidade do equilíbrio entre os humores do corpo humano, e o excesso de um deles iria causar doença. Quando a bile negra (melancolia) predominava, sintomas compatíveis com a moderna depressão apareciam.

É interessante notar que a teoria moderna acerca dos transtornos depressivos de alguma forma se assemelha à antiga idéia dos humores desequilibrados: a origem da depressão finalmente começou a ser explicada pelas observações na década de 1950 de que alterações induzidas por drogas nos níveis de neurotransmissores afetavam os sintomas apresentados por pacientes depressivos, levando à conclusão de que a depressão é causada por um desequilíbrio nos níveis de neurotransmissores. Tal idéia, ainda que extremamente simplificada, ainda constitui a base fisiopatológica dos transtornos depressivos.

Prevalência
Cerca de 16% da população mundial é afetada por alguma forma de depressão em pelo menos uma ocasião de suas vidas, e a idade média de início dos sintomas é no final dos 20 anos. Alguns países, no entanto, apresentam uma incidência significativamente maior de depressão, como a Austrália, onde a incidência em mulheres pode chegar a 25%.

As mulheres parecem estar em um risco maior de depressão, mas isto está diminuindo nas últimas décadas e em muitos estudos parece não haver diferença entre os sexos na população idosa. Um ponto importante é que pode haver uma subestimação da incidência da depressão em homens: devido a fatores culturais, os homens são menos propensos a se queixar de sintomas depressivos e até mesmo menos propensos a procurar e aceitar o tratamento para a depressão.

Causas
Além da depressão induzida por drogas ou uma condição médica geral (o hipotireoidismo, uma doença da glândula tireóide, por exemplo, pode causar sintomas depressivos), a causa da depressão é fundamentalmente desconhecida. A depressão é mais comum em parentes de 1o grau de pacientes depressivos do que na média da população, e a coincidência desta em gêmeos é elevada, o que sugere fortes fatores genéticos. A tendência genética para o transtorno depressivo pode ser desencadeada, no entanto, pelo estresse profundo ou prolongado.

Importantes eventos estressantes, como separações e perdas, podem desencadear transtornos depressivos, mas depressões severas e de longa duração, parecem surgir apenas em indivíduos predispostos.

Neurotransmissores, que são substâncias produzidas pelos neurônios e utilizadas para transmitir informações entre eles, também estão envolvidos na etiologia da depressão. Têm-se descrito nos transtornos depressivos a produção diminuída ou anormalmente regulada de diferentes neurotransmissores. Estes incluem a acetilcolina (envolvida em muitas funções cognitivas como aprendizado e memória), a noradrenalina e a dopamina (envolvida principalmente na motivação), bem como da serotonina (relacionada aos sentimentos de prazer e satisfação). Diferentes neurotransmissores podem estar comprometidos em diferentes graus de intensidade, o que pode explicar a variabilidade nas manifestações clínicas de diferentes pacientes

Fonte:  Dr. Thiago Monaco – dr.thiago@envelhecerbem.com

Comentários