Transtorno de Pânico X Doenças Cardíacas
Publicado em Transtornos por: dra. maria.silvia
20/05/12
Quando uma pessoa apresenta sensação de que o coração está disparado, batendo rápido demais, com dor ou sensação de aperto no peito e dificuldade para respirar, a primeira preocupação é que esteja apresentando algum problema no coração. Se a dor aparenta estar se irradiando para o braço esquerdo, o medo de estar tendo um infarto agudo do miocárdio é ainda maior. Isso vai causar ansiedade e a tendência da sintomatologia é piorar. O que fazer nessa hora? Procurar um serviço de atendimento médico de urgência, para avaliação clínica. Se for realmente uma alteração cardíaca, as providências necessárias serão tomadas pela equipe. E se não for? Investigar as possíveis causas para os sintomas.
A dor torácica é sintoma comum na prática médica, sendo também um dos principais sintomas da isquemia miocárdica (falta de suprimento sanguíneo para o miocárdio, o tecido muscular que constitui o coração), presente na doença arterial coronariana (se existe problema nas artérias coronárias, que irrigam o coração, há sofrimento para o miocárdio, que é músculo que trabalha muuuuito. Pode ser sofrimento lento e gradual- dorzinha chata, persistente, ou abrupto-infarto agudo.). Por esse motivo, deve ser investigada com atenção.
O foco principal do atendimento de urgência é a identificação precoce do risco de eventos ameaçadores à vida. Isso inclui a rápida triagem de pacientes com alta probabilidade de Infarto Agudo do Miocárdio, com diferenciação da isquemia miocárdica de doenças cardiovasculares não coronarianas, doenças pulmonares e do trato digestivo alto. Taquicardia, sensação de asfixia, tremores, ondas de frio/calor podem estar presentes em alterações endocrinológicas como hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, feocromocitoma (tumor das glândulas supra-renais).
Quando esses quadros já foram descartados, uma possibilidade é que estes sintomas configurem um ataque de pânico, que em linguagem psiquiátrica é uma crise aguda de ansiedade, medo ou desconforto intensos, que atinge o pico em 10 minutos e se caracteriza por vários sintomas somáticos ou cognitivos de ansiedade como taquicardia (aumento da frequência cardíaca), sudorese, falta de ar, tremores, náuseas, desconforto abdominal, dor ou desconforto torácico, sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio, parestesias, calafrios ou ondas de calor, medo de morrer, enlouquecer ou de perder o controle, sensação de estranheza em relação a si mesmo (despersonalização) ou ao ambiente, como se estivesse fazendo parte da cena de um filme(desrealização). Ataques de pânico podem ocorrer espontaneamente ou devido a uma situação ameaçadora.
NoTranstorno de Pânico o paciente começa a apresentar ataques de pânico espontâneos e, por se tratar de situação muito desagradável e incontrolável, desenvolvem ansiedade antecipatória, ou seja, muito medo de vir a apresentar novos ataques. Passa a evitar todas as situações potencialmente desencadeadoras de ataques, restringindo muito sua vida.
Alguns pacientes passam a temer e evitar lugares de onde seja difícil sair ou receber atendimento em caso de sintomas de pânico como locais públicos, movimentados, transporte coletivo, etc. Muitas vezes não conseguem sair de casa (ou ficar em casa) sozinhos, exigindo companhia constante. Esse quadro de medo e evitação é chamado de Agorafobia e causa grandes prejuízos à vida profissional, familiar, social dos portadores.
Com frequência, portadores de Transtorno de Pânico são muito preocupados com sua saúde - hipervigilantes. Qualquer pequena mudança corporal é interpretada como ameaçadora e reforça a crença de ter doença grave que ainda não foi adequadamente diagnosticada. Isso leva à procura de diferentes especialistas, demandando atendimento médico frequente.
Mesmo os efeitos colaterais das medicações são avaliados como excessivamente graves, o que muitas vezes retarda o uso das doses adequadas. Além de procurarem atendimento clínico porque “realmente” sentem todo o desconforto relatado, existe a questão do “direito ao papel de doente”, só acessível aos portadores de doença somática. Se houver uma doença somática documentada, há justificativa para seus temores e o acolhimento do “papel de doente”. Se todos os exames são normais e o diagnóstico é “só” pânico, o pacientes pode sofrer sentimentos de desmoralização, com baixa auto-estima e sensação de desamparo, devido a suas limitações.
Para quem nunca viveu a experiência de um ataque de pânico, todo aquele medo é injustificado, um recurso imaturo para chamar a atenção. O paciente muitas vezes é taxado de “mala”e, o pior, ele também acaba se vendo assim. É muito comum que o Transtorno de Pânico (com ou sem Agorafobia) não tratado adequadament se complique com Depressão e Uso de Álcool e Drogas, inclusive Dependência de Benzodiazepínicos. Mesmo quando um paciente portador de Transtorno de Pânico apresenta quadro realmente cardiovascular, corre o risco de ser encarado como “usuário habitual” e não ser atendido com o rigor necessário para a situação. Posso lhes contar da experiência de, como aluna de quinto ano de Medicina, ser designada para realizar o eletrocardiograma de uma senhora considerada “freguesa de carteirinha”de nosso serviço de urgência. Quando o traçado do ECG veio sugestivo de isquemia (confirmado com o livro do falecido Enéas), ninguém acreditava.
Primeiro pensaram:”quintanista não serve nem prá traçar ECG”, antes de acreditar que aquela senhora, que procurava com frequência o serviço sem nenhuma alteração detectável, poderia estar realmente doente. Era uma pessoa que, apesar de muito preocupada com a probabilidade de um problema de coração, só consultava o serviço de urgência, não fazia um acompanhamento clínico de rotina. Mas podem ficar tranquilos, depois que um plantonista mais experiente repetiu o ECG e confirmou o quadro, a senhora recebeu o tratamento adequado, com a expressão vitoriosa de “eu não disse?”.
A abordagem inadequada do Transtorno de Pânico nos casos de dor torácica, taquicardia, etc, leva à cronificação do quadro, limitação das atividades e redução da qualidade de vida, além de uso excessivo e inadequado de exames clínicos e recursos médicos. A negligência do atendimento clínico a pacientes com características de ansiedade excessiva, dramáticos ou queixosos demais pode deixar de identificar patologias orgânicas concomitantes com transtornos psiquiátricos. A medida mais prudente: não deixar para procurar o serviço médico somente na hora da urgência. Consultas médicas regulares, com avaliação dos parâmetros que detectam precocemente possíveis alterações das doenças crônicas não transmissíveis (diabetes, hipertensão, alterações da tireóide,neoplasias,etc) e, principalmente, a adoção de hábitos de vida saudáveis (boa alimentação, atividade física, equilíbrio entre trabalho/consumo/lazer/repouso e relações afetivas gratificantes) são as principais medidas para se manter protegido de problemas de saúde. Mais do que frequentar pronto-socorro e atendimentos médicos de alta complexidade
Fonte: http://blogs.unimeds.com.br/mariasilvia/?p=138
A dor torácica é sintoma comum na prática médica, sendo também um dos principais sintomas da isquemia miocárdica (falta de suprimento sanguíneo para o miocárdio, o tecido muscular que constitui o coração), presente na doença arterial coronariana (se existe problema nas artérias coronárias, que irrigam o coração, há sofrimento para o miocárdio, que é músculo que trabalha muuuuito. Pode ser sofrimento lento e gradual- dorzinha chata, persistente, ou abrupto-infarto agudo.). Por esse motivo, deve ser investigada com atenção.
O foco principal do atendimento de urgência é a identificação precoce do risco de eventos ameaçadores à vida. Isso inclui a rápida triagem de pacientes com alta probabilidade de Infarto Agudo do Miocárdio, com diferenciação da isquemia miocárdica de doenças cardiovasculares não coronarianas, doenças pulmonares e do trato digestivo alto. Taquicardia, sensação de asfixia, tremores, ondas de frio/calor podem estar presentes em alterações endocrinológicas como hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, feocromocitoma (tumor das glândulas supra-renais).
Quando esses quadros já foram descartados, uma possibilidade é que estes sintomas configurem um ataque de pânico, que em linguagem psiquiátrica é uma crise aguda de ansiedade, medo ou desconforto intensos, que atinge o pico em 10 minutos e se caracteriza por vários sintomas somáticos ou cognitivos de ansiedade como taquicardia (aumento da frequência cardíaca), sudorese, falta de ar, tremores, náuseas, desconforto abdominal, dor ou desconforto torácico, sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio, parestesias, calafrios ou ondas de calor, medo de morrer, enlouquecer ou de perder o controle, sensação de estranheza em relação a si mesmo (despersonalização) ou ao ambiente, como se estivesse fazendo parte da cena de um filme(desrealização). Ataques de pânico podem ocorrer espontaneamente ou devido a uma situação ameaçadora.
NoTranstorno de Pânico o paciente começa a apresentar ataques de pânico espontâneos e, por se tratar de situação muito desagradável e incontrolável, desenvolvem ansiedade antecipatória, ou seja, muito medo de vir a apresentar novos ataques. Passa a evitar todas as situações potencialmente desencadeadoras de ataques, restringindo muito sua vida.
Alguns pacientes passam a temer e evitar lugares de onde seja difícil sair ou receber atendimento em caso de sintomas de pânico como locais públicos, movimentados, transporte coletivo, etc. Muitas vezes não conseguem sair de casa (ou ficar em casa) sozinhos, exigindo companhia constante. Esse quadro de medo e evitação é chamado de Agorafobia e causa grandes prejuízos à vida profissional, familiar, social dos portadores.
Com frequência, portadores de Transtorno de Pânico são muito preocupados com sua saúde - hipervigilantes. Qualquer pequena mudança corporal é interpretada como ameaçadora e reforça a crença de ter doença grave que ainda não foi adequadamente diagnosticada. Isso leva à procura de diferentes especialistas, demandando atendimento médico frequente.
Mesmo os efeitos colaterais das medicações são avaliados como excessivamente graves, o que muitas vezes retarda o uso das doses adequadas. Além de procurarem atendimento clínico porque “realmente” sentem todo o desconforto relatado, existe a questão do “direito ao papel de doente”, só acessível aos portadores de doença somática. Se houver uma doença somática documentada, há justificativa para seus temores e o acolhimento do “papel de doente”. Se todos os exames são normais e o diagnóstico é “só” pânico, o pacientes pode sofrer sentimentos de desmoralização, com baixa auto-estima e sensação de desamparo, devido a suas limitações.
Para quem nunca viveu a experiência de um ataque de pânico, todo aquele medo é injustificado, um recurso imaturo para chamar a atenção. O paciente muitas vezes é taxado de “mala”e, o pior, ele também acaba se vendo assim. É muito comum que o Transtorno de Pânico (com ou sem Agorafobia) não tratado adequadament se complique com Depressão e Uso de Álcool e Drogas, inclusive Dependência de Benzodiazepínicos. Mesmo quando um paciente portador de Transtorno de Pânico apresenta quadro realmente cardiovascular, corre o risco de ser encarado como “usuário habitual” e não ser atendido com o rigor necessário para a situação. Posso lhes contar da experiência de, como aluna de quinto ano de Medicina, ser designada para realizar o eletrocardiograma de uma senhora considerada “freguesa de carteirinha”de nosso serviço de urgência. Quando o traçado do ECG veio sugestivo de isquemia (confirmado com o livro do falecido Enéas), ninguém acreditava.
Primeiro pensaram:”quintanista não serve nem prá traçar ECG”, antes de acreditar que aquela senhora, que procurava com frequência o serviço sem nenhuma alteração detectável, poderia estar realmente doente. Era uma pessoa que, apesar de muito preocupada com a probabilidade de um problema de coração, só consultava o serviço de urgência, não fazia um acompanhamento clínico de rotina. Mas podem ficar tranquilos, depois que um plantonista mais experiente repetiu o ECG e confirmou o quadro, a senhora recebeu o tratamento adequado, com a expressão vitoriosa de “eu não disse?”.
A abordagem inadequada do Transtorno de Pânico nos casos de dor torácica, taquicardia, etc, leva à cronificação do quadro, limitação das atividades e redução da qualidade de vida, além de uso excessivo e inadequado de exames clínicos e recursos médicos. A negligência do atendimento clínico a pacientes com características de ansiedade excessiva, dramáticos ou queixosos demais pode deixar de identificar patologias orgânicas concomitantes com transtornos psiquiátricos. A medida mais prudente: não deixar para procurar o serviço médico somente na hora da urgência. Consultas médicas regulares, com avaliação dos parâmetros que detectam precocemente possíveis alterações das doenças crônicas não transmissíveis (diabetes, hipertensão, alterações da tireóide,neoplasias,etc) e, principalmente, a adoção de hábitos de vida saudáveis (boa alimentação, atividade física, equilíbrio entre trabalho/consumo/lazer/repouso e relações afetivas gratificantes) são as principais medidas para se manter protegido de problemas de saúde. Mais do que frequentar pronto-socorro e atendimentos médicos de alta complexidade
Fonte: http://blogs.unimeds.com.br/mariasilvia/?p=138

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